quarta-feira, 29 de abril de 2026


Dia 28 - Nosso segundo encontro foi surpreendente. Tinha previsão de chuva, mas estava uma noite linda.
Passamos no mercado, compramos algumas bebidas e depois de muita indecisão ele me levou no mesmo local do primeiro encontro.
Era umas dezenove horas, sentamos para beber e conversar quando de repente começou a chover.
Procuramos um lugar para esconder da chuva e enquanto eu falava sobre um assunto bem específico e importante pra mim, ele me puxou e me beijou devagar e suave como a chuva que caía.
Meu coração disparou e flutuei. Poderia dizer que foi efeito da bebida, mas não foi. Nossas almas se tocaram profundamente e essa explosão de adrenalina só confirmou o que eu já havia sentido antes.
Nós nos reconhecemos e ali a terra parou novamente pra nos apreciar.
O guarda passou avisando que o local ia fechar, saímos rapidamente e voltamos ao mercado para comprar batata chips e sorvete.
Paramos o carro no alto, onde dava pra ver a cidade inteira. Fizemos um caderninho invisível onde listamos possíveis passeios, filmes e atividades interessantíssimas. Nossos gostos são parecidos, em quase todos os quesitos.
Nossos pensamentos são parecidos também e confesso que não sobraram muitas diferenças.
Ele incentiva, cuida e é daqueles que troca o lado da calçada para me proteger.
Ah, e abre a porta do carro, como aqueles príncipes daqueles filmes doces bem sabor baunilha.
Em meio a todo esse conto de fadas, o medo tem crescido e dado espaço a uma insegurança incômoda,
Aquele velho ditado de que "gato escaldado tem medo de água fria" nunca fez tão sentido.
O medo de acordar desse sonho é constante, e quando a "esmola é demais o santo desconfia", os "serás" invadiram os meus pensamentos e o não merecimento apareceu para dar o "ar da graça".
Depois de tanto sofrimento é um pouco difícil voltar a acreditar em certas coisas e acontecimentos e a desconfiança fica ascendendo a luz vermelha tentando criar um falso alerta.
Ele é a pessoa mais gentil que eu já conheci e desde então comecei a rezar para que ele fique e que eu seja merecedora de tudo isso.
Nunca ninguém havia me agradecido pela minha companhia, nem por nada. Sempre pareceu que as coisas andavam no automático e acho que andavam mesmo.
Em pouquíssimo tempo eu tive vontade de ser uma pessoa melhor por mim e sentimentos que estavam adormecidos há décadas, começaram a despertar como uma mágica ou mesmo um resgate.
Ele veio como luz sobre a minha escuridão e iluminou minha alma novamente dando continuidade ao terceiro encontro e inimaginável capítulo III.

(Ela - Coisas entre Aspas)

Nenhum comentário:

Postar um comentário